POEMA - Enfim

Eu pude ver, enfim, o que encanta Dona Jana essa senhora de ademanes finos, que se perde em brilhos, em cifras e mimos, tal qual criança que se engana com o reluzir das coisas do mundo.


É idosa e meiga, dizem; amante dos presentes caros, das joias que exaltam suas vaidades toscas, do perfume que enfeita as horas e faz esquecer do tempo a crueldade.


Mas vi, ah, pude ver, que o valor que tanto almeja é feito de ouro frio e pedra bruta; que seu riso, que soa macio, esconde uma árvore oca.


Dona Jana, senhora tão ilustre, tão vazia de grandezas, é rica em trastes e ninharias, mas pobre de essência, de encantos verdadeiros. Traz no peito um cofre cheio de vazios, onde se acumula um monturo de nadas.


Enfim, quando desta vida se apartar, ela não levará consigo nem mesmo o brilho falso que tanto adorou em vida. Não leva nem o eco sua lembrança cai no nada, como ela, enfim, retorna ao nada.

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