Civilização: O Dom do Brasil é a Fé

A Legitimidade dos Monumentos Cristãos no Espaço Público 
By Mateus Gomes - TCW Gaudiorum

A cultura não é brinquedo de ministério. Cultura é guerra. E nesta guerra espiritual em que estamos metidos, ou você levanta a cruz, ou ajoelha pro capeta.

O Estado é laico, mas não é ateu — tampouco hostil à fé cristã, que é o próprio alicerce cultural do Brasil. Laicidade significa apenas a não imposição de uma religião oficial, jamais a erradicação da identidade religiosa de um povo majoritariamente cristão. Quando o Estado se opõe — seja por iniciativa própria ou pressionado por grupos ideologicamente engajados — à instalação de monumentos como uma cruz ou uma Bíblia, revela-se aí um preconceito velado e covarde contra a fé cristã, travestido de neutralidade institucional. Isso é fato histórico. Existem, sim, grupos organizados empenhados em apagar qualquer vestígio da presença cristã no espaço público.

A cultura não nasce em secretarias, nasce na alma do povo. E o povo brasileiro, com mais de 80% de cristãos, tem não só o direito, mas o dever de expressar publicamente sua fé. Iniciativas como essas, quando surgem da sociedade civil, são mais do que legítimas: são manifestações genuínas de liberdade, identidade e pertencimento. O Centro Dom Bosco, por exemplo, ergueu recentemente, no coração do Rio de Janeiro, um belíssimo monumento eucarístico, totalmente financiado com doações privadas, sem um centavo de dinheiro público. O resultado? Uma obra de fé, beleza e civilização, diante da qual nenhuma autoridade pôde dizer 'não', porque o povo já havia dito 'sim'. Isso é o verdadeiro liberalismo, isso é poder popular de verdade.

E não é de hoje que isso funciona. Quem conhece minimamente a história da civilização europeia sabe que as grandes igrejas da França — Notre-Dame, Chartres, Amiens, Reims — não foram erguidas por ordem estatal ou com dinheiro de impostos obrigatórios. Foram construídas pelo próprio povo, numa união espiritual entre ricos e pobres, nobres e camponeses, todos movidos por uma só fé. Homens simples carregavam pedra, artesãos moldavam vitrais, padres projetavam as plantas, e a nobreza ajudava com recursos e influência — não como imposição, mas como expressão de devoção. A catedral era o coração da cidade: era o centro da vida cívica, espiritual, cultural e artística. Isso é o que se constrói quando o povo é unido em torno do sagrado, e não disperso em torno de ideologias.

Civilizações não se erguem com decretos burocráticos, mas com unidade moral e espiritual. É a aspiração comum que edifica os símbolos. A ausência de símbolos cristãos no espaço público não é um acaso: é um sinal claro do processo de esvaziamento espiritual em curso. Símbolos orientam, edificam, despertam a memória e apontam um rumo. Sem cruz, sem Bíblia, sem fé... resta o quê? Resta o cinismo, o consumismo imbecil, o wokismo, e toda essa imundície da modernidade líquida que dissolve tudo o que é sólido, belo e verdadeiro. Recomendo aqui, inclusive, a leitura do livro Beleza, de Roger Scruton, para quem quiser entender o que se perde quando se abandona o sagrado.

A melhor forma de construir o futuro é com os olhos voltados para o passado. A fé precisa ser defendida daqueles que a ridicularizam, distorcem e caricaturam. Por isso, não apenas apoio a instalação de monumentos cristãos, como os defendo como expressões legítimas e necessárias da cultura brasileira. Que venham da iniciativa privada, que nasçam do povo — como no Rio, como pode (e deve) acontecer em Vitória e em todo o país. Escutem o Olavo de Carvalho, poxa. A cultura não é brinquedo de ministério. Cultura é guerra. E na guerra espiritual em que estamos metidos, ou você levanta a cruz, ou ajoelha pro capeta.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ENSAIO

POEMA - TUDO SE TRANSFORMA